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Trump oficializa cota extra de importação de carne para baixar preços nos EUA

Festival Recife Burger Gourmet Gustavo Steffen/Divulgação O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (26) uma proclamação que...

Trump oficializa cota extra de importação de carne para baixar preços nos EUA
Trump oficializa cota extra de importação de carne para baixar preços nos EUA (Foto: Reprodução)

Festival Recife Burger Gourmet Gustavo Steffen/Divulgação O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (26) uma proclamação que amplia temporariamente a importação de carne bovina com imposto menor, informou a Casa Branca. A medida tem o objetivo de aumentar a oferta e tentar conter os preços da carne para os consumidores norte-americanos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A nova cota vale apenas para carnes consideradas magras, usadas na produção de carne moída e para a preparação de hambúrgueres. A ampliação será válida por 90 dias a partir de 1º de setembro e permitirá a entrada de até 100 mil toneladas por mês. Agora no g1 Segundo a nota da Casa Branca, a expectativa é que a medida gere um desconto de 25% no preço da carne no mercado norte-americano na comparação com os valores vigentes atualmente. Além disso, o governo Trump acredita que ela aumentará em 10% a oferta do produto no país. A ampliação não altera acordos de livre-comércio com os EUA e não se aplica para países que possuem cotas específicas de carne bovina. Na última sexta-feira (21), Trump já havia anunciado nas redes sociais que ampliaria a cota de importação da carne bovina. Carne em crise nos EUA A medida de Trump ocorre em um momento difícil para os consumidores americanos, que têm sentido cada vez mais no bolso a alta dos preços da carne bovina. Segundo dados do Bureau of Labor Statistics, o preço de uma libra (equivalente a 453,59 gramas) de carne moída chegou a US$ 6,82 em junho deste ano, 79% acima do registrado no início de 2019. O zootecnista e consultor de mercado da Scot Consultoria Felipe Fabbri explica que a alta da carne bovina nos Estados Unidos está relacionada principalmente à redução do rebanho e da produção, em um cenário de demanda ainda aquecida. O rebanho norte-americano está no menor nível em 75 anos, enquanto o preço do gado atingiu níveis recordes, movimento que acabou sendo repassado ao consumidor. O fornecimento ficou ainda mais restrito porque os EUA suspenderam em 2025 a maioria das importações de gado mexicano, diante de preocupações com a disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga que infesta o gado. Apesar de também serem grandes produtores, os EUA ainda precisam importar carne para atender à demanda dos consumidores, que se manteve firme e pressionou os preços. Ele aponta que o impacto da medida sobre o preço ao consumidor ainda é incerto e dependerá da estratégia adotada pelas indústrias locais. “É difícil afirmar que o preço do hambúrguer cairá para o consumidor americano, mas a expectativa é que a medida ajude, ao menos em parte, a conter novas altas e a reduzir o custo de produção das indústrias locais”, afirma. Brasil pode ser beneficiado? Fabbri avalia que o Brasil pode se beneficiar da medida. Segundo o especialista, uma ampliação da cota ou uma redução das tarifas aumentaria a competitividade da carne bovina brasileira no mercado norte-americano e poderia abrir espaço para um volume maior de embarques aos Estados Unidos. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou ao g1 que ainda não precisa analisar a medida para entender se o Brasil de fato será contemplado. Atualmente, o Brasil participa de uma cota compartilhada com outros fornecedores dos EUA, que costuma ser preenchida nas primeiras semanas do ano. Depois que esse volume é esgotado, a carne brasileira continua podendo entrar no país, mas passa a pagar uma tarifa extra-cota de 26,4%. Por isso, uma ampliação da cota que inclua o Brasil poderia melhorar as condições de acesso da carne bovina brasileira ao mercado americano. A medida de Trump acontece em um momento em que o Brasil diminuiu os embarques para o seu maior cliente, a China, depois de atingir o limite de cotas de comercialização sem a tarifa adicional. As exportações brasileiras de carne bovina registraram queda de 26% no balanço parcial de agosto, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Segundo Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, o Brasil exporta a mesma parte do boi para os dois países, a dianteira. Brasil já é um dos principais fornecedores Os Estados Unidos são atualmente o segundo maior mercado para a carne bovina brasileira. De janeiro a julho de 2026, o Brasil exportou 233,8 mil toneladas de carne bovina para o país, alta de 17,1% em relação ao mesmo período de 2025. A receita chegou a US$ 1,54 bilhão, crescimento de 33,1% na comparação anual, segundo dados da Abiec. Atualmente, cerca de 50 plantas frigoríficas brasileiras estão habilitadas a exportar carne bovina para os Estados Unidos. Devido aos altos preços, Trump solicitou a abertura de uma investigação contra os quatro maiores frigoríficos atuantes no país, a JBS, a National Beef, controlada pela Marfrig, e as norte-americanas Cargill e Tyson Foods. Na época, o presidente afirmou que o encarecimento aconteceu "por meio de conluio ilícito". Veja as exportações de carne para a China e os EUA em 10 anos Arte g1